Mudança no rastreio, fortalecimento regulatório e produção nacional de medicamentos indicam um novo momento no cuidado com a doença no país
O Brasil vive um momento de inflexão no enfrentamento do diabetes tipo 2, combinando avanços na prevenção, no diagnóstico precoce e no acesso ao tratamento. A atualização das diretrizes médicas, aliada ao fortalecimento do ambiente regulatório e produtivo, reflete uma resposta mais estruturada a uma doença que cresce de forma silenciosa e afeta cada vez mais pessoas em idade ativa.
Recentemente, a Sociedade Brasileira de Diabetes passou a recomendar o início do rastreio do diabetes tipo 2 a partir dos 35 anos. A mudança reflete a constatação de que a doença deixou de estar associada apenas ao envelhecimento e passou a atingir adultos mais jovens, impulsionada por fatores como sedentarismo, obesidade e alterações no estilo de vida. O diagnóstico precoce, nesse contexto, tornou-se uma ferramenta central para reduzir complicações e melhorar o controle da doença ao longo do tempo.
Esse movimento ocorre em paralelo a um amadurecimento do sistema de saúde brasileiro. Além da revisão de diretrizes clínicas, há um esforço crescente para ampliar o acesso a tratamentos eficazes, especialmente no cuidado de doenças crônicas de alta prevalência. A consolidação de um ambiente regulatório mais robusto tem sido um dos pilares desse avanço, contribuindo para maior previsibilidade, segurança e qualidade no cuidado aos pacientes.
Nos últimos anos, o país passou a contar também com produtos para o tratamento do diabetes fabricados em solo brasileiro e aprovados pela Anvisa como novos medicamentos, como OLIRE® e LIRUX®, da EMS. A iniciativa representa um passo relevante para fortalecer a autonomia produtiva nacional e ampliar a oferta de terapias alinhadas a critérios rigorosos de qualidade, segurança e eficácia, integrando o avanço regulatório à realidade do cuidado clínico.
Segundo o Dr. Iran Gonçalves Júnior, diretor médico da EMS, o impacto da ampliação do rastreio depende diretamente da capacidade do sistema de saúde de absorver esses pacientes ao longo do tratamento. “Antecipar o diagnóstico é uma estratégia essencial para reduzir o impacto do diabetes ao longo da vida do paciente. Mas esse esforço só gera resultados concretos quando há acesso a tratamentos eficazes, dentro de um ambiente regulatório sólido e confiável”, afirma.
Para o especialista, o fortalecimento da produção nacional é parte desse processo. “Quando o país desenvolve medicamentos reconhecidos como novos e investe em um sistema regulatório robusto, amplia-se a segurança no abastecimento e cria-se um cenário mais favorável para o manejo de uma doença crônica tão prevalente quanto o diabetes”, completa.
Mesmo com o avanço do rastreio, especialistas alertam que o diabetes tipo 2 pode permanecer assintomático por anos. Por isso, é importante ficar atento a sinais que podem indicar a necessidade de avaliação médica:
– Sede excessiva
– Aumento da frequência urinária
– Cansaço persistente ou sensação constante de fadiga
– Visão embaçada
– Perda de peso sem causa aparente
A presença de um ou mais desses sinais deve servir de alerta, especialmente entre adultos a partir dos 35 anos ou pessoas com fatores de risco, como sobrepeso, sedentarismo e histórico familiar de diabetes.
