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Home»Economia»As 7 perguntas que sua contabilidade deveria fazer agora — e não em abril
Economia

As 7 perguntas que sua contabilidade deveria fazer agora — e não em abril

Caitlin K. Mathewsdezembro 11, 20254 Mins Read
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Especialistas alertam que o verdadeiro planejamento estratégico das empresas começa em dezembro, e não depois do fechamento do balanço. Lucas Oliveira, da LCS Contabilidade, propõe uma virada de chave no papel da contabilidade como ferramenta de gestão.

O fim do ano, para muitas empresas, é sinônimo de fechamento de balanço, cálculo de distribuição de lucros e preparação de documentos contábeis. Mas, segundo Lucas Oliveira, sócio da LCS Contabilidade, essa lógica está ultrapassada. “Ficar esperando o contador fechar o ano e entregar relatórios em abril é atuar no retrovisor. O que as empresas precisam é de uma contabilidade que antecipa decisões, e não que apenas registre o que já passou”, afirma.

Oliveira defende uma mudança de mentalidade: usar dezembro não como o fim do exercício, mas como o verdadeiro início do planejamento fiscal, financeiro e estratégico do ano seguinte. “É em dezembro que se deve fazer as perguntas certas. Depois disso, o jogo já começou”, diz.

A seguir, ele lista sete perguntas que qualquer empresa deveria fazer antes do fim do ano — e que, se bem trabalhadas, podem evitar prejuízos, desperdícios e decisões mal dimensionadas ao longo de 2026.

1. O nosso regime tributário atual está preparado para o crescimento que projetamos?

Muitas empresas mantêm o Simples Nacional ou o Lucro Presumido por inércia, mesmo depois de dobrar de tamanho ou mudar completamente seu modelo de negócios. Segundo dados da Receita Federal, mais de 70% das empresas brasileiras continuam no mesmo regime fiscal por mais de 5 anos — mesmo após ultrapassar os limites de faturamento. “Crescer sem revisar o regime pode significar perder até 30% da margem de lucro”, alerta Lucas.

2. A nossa estrutura societária faz sentido diante do nosso modelo atual?

Negócios que começaram como empresas individuais ou sociedade limitada podem estar operando hoje com múltiplos sócios, franqueados, investidores ou até projetos paralelos. Uma estrutura societária inadequada pode não só travar o crescimento, mas também dificultar a entrada de capital ou gerar problemas com sucessão e governança. “Atualizar a estrutura jurídica é parte da estratégia”, diz Oliveira.

3. Nossa precificação considera corretamente os impactos fiscais?

A maioria dos empreendedores forma seus preços com base em custo direto, margem e comparação de mercado. Mas, segundo Lucas, poucas empresas incluem na precificação os efeitos reais de PIS, COFINS, ICMS-ST ou retenções de serviços. “Preço mal calculado é o tipo de erro silencioso que só aparece no fim do ano, quando o caixa aperta.”

4. Estamos aproveitando todos os créditos fiscais a que temos direito?

Empresas do Lucro Real e do Lucro Presumido podem usar créditos de PIS/COFINS, ICMS e outros tributos como ferramenta de alívio tributário. Mas, segundo levantamento interno da LCS, cerca de 40% das empresas não aproveitam integralmente seus créditos — por desconhecimento ou falta de estrutura contábil adequada. “É dinheiro parado, literalmente.”

5. Nosso planejamento financeiro e orçamentário está integrado à contabilidade?

Muitas empresas têm orçamentos e metas — mas a contabilidade não participa da construção nem da análise desses números. Isso gera uma desconexão entre o que é planejado e o que é de fato viável ou eficiente do ponto de vista fiscal. “A contabilidade não deveria ser apenas departamento de entrega de imposto. Ela precisa estar sentada à mesa na hora das decisões estratégicas.”

6. Temos uma política de distribuição de lucros alinhada com a nossa realidade financeira?

No fim do ano, muitos sócios decidem fazer a distribuição de lucros sem avaliar corretamente o fluxo de caixa, a reserva legal, os efeitos sobre a saúde da empresa ou o cruzamento com a pessoa física. O resultado pode ser um buraco financeiro no primeiro trimestre de 2026 — e um susto com a Receita Federal em abril. “Lucro distribuído sem critério é um risco que pode custar caro.”

7. Estamos preparados para a reforma tributária e os impactos nos próximos anos?

Ainda em tramitação, a reforma tributária traz mudanças significativas no formato de cobrança, com substituição de tributos, adoção do IVA dual e impactos distintos sobre cada setor. Empresas que não começarem a simular os efeitos das novas regras desde agora correm o risco de não conseguirem se adaptar a tempo. “Quem deixar para entender a reforma em cima da hora vai pagar mais imposto por falta de estratégia.”

Para Lucas Oliveira, dezembro deve ser visto como a largada do novo ciclo. “Se você quer crescer em 2026, precisa começar agora. E isso não significa fazer promessas, mas colocar sua estrutura fiscal, financeira e jurídica a serviço do crescimento”, conclui.

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