Mobilização integrou o Dia Mundial da Limpeza e reforçou a união entre projetos, organizações e comunidade pela conservação do oceano; Instituto Supereco participou da ação por meio do Projeto Tecendo as Águas, realizado em parceria com a Petrobras
Cerca de 300 pessoas se reuniram na praia da Aparecida, em Santos para transformar conscientização ambiental em ação de limpeza. O Cleanup Day 2026 mobilizou voluntários, organizações, projetos e representantes da comunidade em um grande mutirão, com atividades de coleta, identificação e pesagem dos resíduos encontrados no ambiente costeiro.
O Instituto Supereco participou da mobilização por meio do Projeto Tecendo as Águas: Serra, Terra e Mar, juntamente com o Projeto Mantas e o Projeto Albatroz, todos projetos que são realizados em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental. A atuação do projeto integra educação socioambiental, ciência cidadã, conservação e mobilização comunitária, conectando diferentes atores na proteção dos territórios da Serra do Mar ao oceano.
Ao longo da ação, foram percorridos aproximadamente 27 mil metros quadrados de área de coleta, resultando na retirada de 62,21 quilos de resíduos. Mais do que limpar a praia, o trabalho permitiu observar de perto quais materiais continuam chegando ao ambiente e reforçar a discussão sobre consumo, descarte adequado e responsabilidade compartilhada.

Plástico concentra parte expressiva do material recolhido!
A análise dos resíduos mostrou que o plástico permanece entre os principais desafios para a conservação dos ambientes costeiros. Foram contabilizados 36,37 quilos de materiais plásticos, incluindo 997 hastes de cotonete ou pirulito, 971 fragmentos de isopor, 689 tampinhas de garrafa PET, 423 pinos plásticos, 135 canudos e 35 garrafas PET. Também foram encontrados plásticos duros, sacos e sacolas.
Outro número que chamou atenção foi o de 1.770 bitucas de cigarro recolhidas durante o mutirão,que sempre ocupam o 1º lugar dos mais encontrados A coleta encontrou ainda 210 tampinhas de garrafa, 82 pedaços de madeira processada, 51 fragmentos de vidro e cerâmica, 25 itens entre roupas, sapatos e pedaços de tecido, além de latas, lacres e embalagens de medicamentos.
Os dados reforçam uma das propostas do Cleanup Day: ir além da retirada do lixo. A identificação dos materiais funciona como instrumento de ciência cidadã e ajuda a compreender o perfil dos resíduos encontrados no território, gerando informações que podem orientar ações futuras de educação e sensibilização ambiental.

Uma rede pelo oceano
A mobilização em Santos reuniu uma ampla rede de parceiros. O evento contou com patrocínio da Ageo e Razões Família; realização do Movimento ODS Baixada Santista, AEAS – Associação de Engenheiros e Arquitetos de Santos, Surf Limpeza e ColaBora Mundo – Baixada Santista; e apoio do Blue Economy Santos, Sociedade Amigos da Marinha, NPI – Agência de Projetos Incentivados, Cultivo e Prefeitura de Santos. O Instituto Supereco e o Tecendo as Águas participaram da articulação ao lado dos projetos Mantas do Brasil e Albatroz, iniciativas também realizadas em parceria com a Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental.
Para Andrée de Ridder Vieira, bióloga, especialista em Gestão Ambiental, presidente do Instituto Supereco e gestora do Projeto Tecendo as Águas, ações como o Cleanup Day ajudam a mostrar que o problema dos resíduos precisa ser enfrentado para além dos mutirões de limpeza, envolvendo educação, mudança de comportamento e articulação entre diferentes setores da sociedade para melhorar a economia circular.
“Quando reunimos voluntários, comunidade, organizações, poder público, empresas e projetos socioambientais em uma ação como essa, mostramos na prática que a conservação depende de uma responsabilidade compartilhada. Retirar os resíduos da praia é fundamental, mas nosso trabalho acontece bem antes da coleta. Precisamos entender de onde esses materiais vêm, educar e estimular mudanças nos hábitos de consumo e de descarte correto em todos os setores. Principalmente, ofertar soluções para que os resíduos, com o compromisso de cada cidadão, sejam reincorporados na economia circular e não tenham como destino os ambientes costeiros. Se 80% da poluição marinha vem da terra, é nas cidades, ruas, praças, rios, córregos, manguezais e outros locais que precisamos agir com urgência! ”, destaca Andrée de Ridder Vieira.
À frente do Instituto Supereco, OSCIP fundada em 1994, Andrée reúne 37 anos de experiência nas áreas de sustentabilidade, ESG, educação, comunicação e responsabilidade socioambiental. Desde 2013, é gestora do Projeto Tecendo as Águas: Serra, Terra e Mar, que atua em três municípios e 11 comunidades do litoral paulista e atualmente está em sua quarta etapa, com execução prevista até 2028.
Do Litoral Norte à Baixada Santista
A participação em Santos deu continuidade às ações do Instituto Supereco no Cleanup Day 2026. Dias antes, em São Sebastião, uma mobilização nas proximidades do Convento de São Francisco havia reunido crianças, moradores e voluntários e retirado 8,78 quilos de resíduos do ambiente, em parceria com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente de São Sebastião e o Programa Mar Sem Lixo.
As duas ações reforçam a proposta do Projeto Tecendo as Águas de trabalhar o território de forma integrada e estimular a participação das comunidades na conservação ambiental.
O movimento faz parte de uma mobilização que ultrapassa fronteiras. Coordenado internacionalmente pela Let’s Do It World, o Dia Mundial da Limpeza já mobilizou, desde 2018, mais de 139 milhões de pessoas, alcançou mais de 211 países e territórios e retirou mais de 872 mil toneladas de resíduos em todo o planeta.
Em Santos, os 62,21 quilos recolhidos deixam um retrato concreto do problema, mas os cerca de 300 participantes representam outra medida igualmente importante: a capacidade de reunir pessoas em torno de um compromisso comum com praias mais limpas, oceanos protegidos e uma relação mais responsável com os resíduos.
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